Crie um negócio resolvendo um problema próprio

Uma boa oportunidade de criar um produto ou serviço é resolvendo um problema que você enfrenta. Na sua rotina de trabalho, provavelmente você vê lacunas que poderiam ser corrigidas através de um produto ou serviço. Nos seus momentos de lazer, há sempre aquele lugar que você deseja frequentar que poderia ter aquilo que ainda não tem.

Fazer um produto de um segmento em que você conhece acaba sendo mais fácil e prazeroso, além de que você saberá exatamente quais os pontos fracos e fortes do que você está desenvolvendo.

Se você teve uma ideia legal, tem outro post escrito aqui no blog que ajuda a tirá-la do papel.

Planeje menos, faça mais

A não ser que você tenha uma bola de cristal, planejar tudo a longo prazo significa tentar alcançar o cotovelo com a boca: não dá. Não dá porque você simplesmente não tem controle sob muitos aspectos externos: economia, condições de mercado, clientes, tecnologia e vários outros fatores. Tudo isso muda muito rápido, principalmente no setor de tecnologia e internet.

Eu já criei um plano de negócio no início da Qualitare, mas quer saber? Passei bem longe nos meus palpites. Achava que ela ia faturar X, ela faturou Y, achava que ia ter V clientes, ela teve Z. Achava que ia crescer B% em 5 anos, ela cresceu C%.

Um plano de negócio pode ser chamado de um “chute de negócio”, pois é isso que você vai fazer: chutar como vai ser o futuro. Outro detalhe é que normalmente você faz isso antes de iniciar o negócio, que é justamente quando você não tem a menor ideia de como vai ser. Você só passa a ter ideia melhor de parâmetros quando o negócio começa a funcionar.

Isso não significa que você deve ignorar o futuro, claro que não. Apenas não leve tão a sério o que você possa ter planejado antes de ter iniciado o negócio e fique sempre atento com oportunidades que podem surgir após você ter arregaçado as mangas.

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Antes de fazer, descubra o porquê

Enquanto estudava Empreendedorismo Criativo na Perestroika SP, a aula de Causabilidade me deu um bom tapa na cara. Essa aula girava em torno da seguinte pergunta:

Por que você está fazendo o que está fazendo?

Com que propósito você acorda todos os dias para trabalhar?

Passamos cerca de 1 hora falando sobre isso. Felipe Anghinoni abriu a aula com o vídeo abaixo, de Simon Sinek, que fala sobre como os maiores líderes do mundo inspiram a ação.

Esse vídeo é sensacional. Ele me fez pensar e repensar por várias vezes os caminhos que eu tinha a seguir.

Você trabalha simplesmente para ganhar mais dinheiro?  Ganhar dinheiro apenas por ganhar dinheiro não faz sentido, muito menos aumenta sua paixão pelo que você está fazendo.

Causa = Fazer Sentido + Fazer Sentir

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As pessoas mais inspiradoras pensam, falam e agem da mesma maneira, pois estão absolutamente conectadas aos seus “porquês”. Já as empresas que conseguem engajar clientes e funcionários são aquelas que conseguem ter uma bandeira além do lucro. Essas empresas também têm um “porquê”. Antes de oferecerem um produto, elas conseguem responder “porquê” estão fazendo o produto. Isso vem de dentro para fora, e não de fora para dentro, como muitos pensam.

E você, já descobriu o seu “porquê”?

Dizer “não” pode ser bom

Quem nunca teve um cliente que pediu uma atividade para ontem? Ou aquele que quase não tinha verba para o projeto e queria contratar seus serviços a todo custo? Para não decepcioná-lo, você disse sim. A partir daí, você se ferrou a chance de você decepcioná-lo se multiplicou. Se você parasse para analisar, o prazo curto ia atrapalhar outros projetos que estavam em andamento, o orçamento pequeno iria prejudicar a saúde financeira do seu negócio. Enfim, parece que quando você aceita essas condições, você é castigado por algum ente.

Eu já dei muitos “sim” quando devia dizer “não”. E acho que depois de muitas experiências, finalmente estou aprendendo a dizer não. Não ao prazo curto, não ao orçamento apertado, não ao projeto que não desafia.

Parece justiça divina(rs), mas sempre que dou um não, logo depois aparece uma oportunidade bem melhor e mais saudável.

Portanto, pense bem: um “não”pode ser melhor do que muitos “sim” que damos por aí. Você não precisa ser arrogante negando algo. Sempre explique os seus reais motivos, que seu cliente vai te entender.

É até interessante ter um concorrente para indicar caso você não consiga atender alguém. No fim das contas, é melhor ter um cliente feliz com o serviço de um concorrente do que um frustrado com o que você ofereceu.

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Devo compartilhar minha ideia?

Você acha que suas ideias podem ser muito valiosas e deve tomar muito cuidado para que não as roubem, certo?

ERRADO.

Sinto ter que escrever isso, mas suas ideias não têm quase valor nenhum. As minhas muito menos. As ideias só passam a ter algum valor quando são colocadas em prática corretamente.

Temos a falsa impressão de que nossas ideias são incríveis e revolucionárias, quando, na maioria das vezes, são apenas partes de uma ideia maior e melhor.

É preciso parar de ter frescura medo de compartilhar as ideias com os outros. As pessoas não irão parar tudo o que estão fazendo para roubá-la.
Se você conta sua ideia para as pessoas, tem a chance de receber um feedback verdadeiro, e isso pode ser muito valioso no processo de aprimoramento da sua ideia. Quando você não compartilha, pode deixar de receber dicas e insights que fariam toda a diferença no negócio.

É preciso desenvolver relações de confiança com pessoas que possam nos ajudar, que nos complementem onde temos fraquezas. Assim, fica bem maior a chance de criar algo com êxito.

Tive uma ideia! E agora?

De repente você teve aquela ideia revolucionária. Pode ser um aplicativo, um site, um blog, um novo produto. O primeiro sentimento é de extrema empolgação para tirar a ideia do papel. Você vai pensando cada vez mais nisso, imaginando como seria cada detalhe, escreve umas coisas aqui, desenha outras ali, conta para seus amigos. As principais situações após isso são:

1- Você está com tantas tarefas que acaba deixando a ideia morrer aos poucos, como todas as outras que você pensou anteriormente.
Em alguns casos, depois de meses, alguém lança exatamente aquela ideia e você diz: “Eu deveria estar rico com aquela ideia”. Não se sinta orgulhoso de falar esse tipo de coisa, isso é o atestado de incompetência do mundo moderno.

2- Você acredita que sua ideia é perfeita e desenvolve a todo custo, esquecendo de quem vai comprar o seu produto.
Você acha que todo mundo vai comprar a sua ideia, pois ela é realmente maravilhosa. Procura parceiros para tocar o projeto com você, faz eventuais contratações, passa noites em claro trabalhando e finalmente lança o projeto. A ideia pode dar certo, mas a chance de não vingar é enorme. Aí, meu caro, você perdeu dias e noites de trabalho, neurônios, e quando a ideia foi lançada, o retorno não foi do jeito que você esperava. Não surgiram clientes suficientes, as adesões foram poucas… Mas claro, você esqueceu de validar uma perguntinha básica: seu cliente realmente vai estar interessado em comprar o seu produto?

Para evitar que essas situações acima aconteçam, você precisa comprar essa bola de cristal de 400gr validar sua ideia.

Então você pergunta: como validar uma ideia? 

Aqui vão algumas dicas:

1) Ponha sua ideia num Canvas

Business Model Canvas é uma ferramenta que ajuda na construção rápida e visual de novos produtos ou serviços. Em breve vou postar aqui sobre como fazer um Canvas e dar recomendações de leitura, mas você não precisa ficar esperando por mim. Aprenda no Google, é facinho facinho. Colocando no Canvas, você vai conseguir ter uma visão mais ampla de como criar uma proposta de valor através da sua ideia.

Business Model Canvas

2) Faça um MVP

MVP significa Mínimo Produto Viável. Ele é muito bom para ajudar a validar se sua ideia vai vender ou não, antes que você gaste tempo e dinheiro desenvolvendo o produto. O objeto do experimento não será o software em si (até porque você ainda não o desenvolveu), mas outros componentes que permitem validar hipóteses do negócio. Por exemplo, o MVP pode tomar forma de uma campanha de anúncios no Google Adwords combinada com a criação de uma landing page para testar o interesse dos consumidores no produto, ou uma campanha no Facebook que direcione para uma página de inscrição para testar o produto quando estiver pronto.

Exemplos de MVP:

1) Groupon

MVP Groupon

O primeiro site do Groupon era um blog simples feito em wordpress. Os cupons eram enviados por e-mail manualmente, depois de ser gerado um PDF.

2) Dropbox

O exemplo do Dropbox mostra que, às vezes, não é preciso nem escrever código para lançar um MVP. O produto mínimo deles foi um vídeo que explicava os recursos da ferramenta, e foi mostrado para uma comunidade de Early Adopters através do Digg (comunidade que abriga muitos lançadores de tendência na internet). Era o próprio fundador falando enquanto mostrava a tela do computador.

3) Facebook

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Mark Zuckerberg teve a ideia do Facebook em janeiro e lançou a primeira versão do site em fevereiro. Ele desenvolveu em apenas um mês o site que viria a se tornar o fenômeno social e econômico que é hoje. Com a resposta positiva dos primeiros usuários, ele saiu do estágio de uma ideia na cabeça para um produto extremamente promissor (e real) no intervalo de dois meses. Como ele mesmo diz, “Nós construímos e não esperávamos que fosse uma empresa, construímos porque achamos que era uma coisa sensacional.”.

É importante ter em mente que um MVP não é simplesmente uma versão simplificada de seu produto. Ele deve possuir um propósito claro de validação para você aprender algo com seus primeiros usuários, além de um conjunto de métricas que você irá monitorar para evoluí-lo até que chegue ao seu produto final.

3) Venda o que ainda não tem

Crie uma apresentação em Power Point ou Keynote sobre o produto e vá ao mercado. Através dessas visitas você terá uma noção muito mais clara sobre a aceitação do produto por parte dos clientes. Ok, eu sei que pode ser um pouco chato marcar uma reunião com um possível cliente e ter que mostrar algo que ainda não existe, mas pense bem: pior que isso é passar meses desenvolvendo algo que pode não ser aceito.

Essas 3 dicas vão fazer com que você ganhe um tempo precioso e tenha uma visão bem mais clara sobre a aceitação da sua ideia por parte dos clientes.

Fecho esse post com uma citação:

“A vida é curta demais para construir um produto que ninguém quer.”
Ash Maurya, autor de “Running Lean” 

Ignore o “isso nunca vai dar certo”

Você já contou uma ideia para alguém e ouviu como resposta um “Isso nunca vai dar certo”? Não fique com raiva da pessoa nem frustrado por ela ter dito isso. Muitas vezes as pessoas que falam isso só querem proteger você de correr riscos, coisas que elas se arrepiam só de ouvir a palavra.

Normalmente essas pessoas são tão pessimistas e estressadas que passam o dia correndo de um lado para outro e sempre reclamam que estão sem tempo. Para elas, conceitos novos não podem dar certos porque a sociedade não está preparada para mudanças.

Não caia nessa. O mundo real dessas pessoas é apenas uma justificativa para continuar na zona de conforto e não arriscar.

2013 – O ano do “Vai lá e faz!”

Na virada do ano, as pessoas fazem simpatias, planos, promessas, pulam ondas. Eu resolvi botar no papel algumas coisas que quero fazer em 2013 e retomar outras que havia parado: uma delas é este Blog. Antes eu falava sobre Gestão, Marketing Digital, Carreira e alguns assuntos que eu curtia. 2012 foi um ano de muitas mudanças. Me mudei de João Pessoa para São Paulo, expandi a Qualitare, fiz um curso incrível de Empreendedorismo Criativo na Perestroika e isso tudo me deixou muito mais focado em uma coisa: “Vai lá e faz”. O ano de 2012 foi de muito preparo, descobertas e novas experiências. Os posts de 2013 serão mais relacionados a tirar coisas do papel e colocar em prática.

Life begins at the end of your comfort zone